Quanto mais difícil for a
digestão de uma refeição, maior a probabilidade de termos gases, cólicas
intestinais ou prisão de ventre, umas horas ou mesmo uns dias depois. Também é
verdade que, muitas vezes após uma refeição aparentemente leve, sentimo-nos
pesados e enfartados. Pois é, caros
leitores e leitoras, nem sempre o que comemos está errado. Muitas das
vezes, as combinações que fazemos na
mesma refeição é que podem provocar esse mal-estar.
Hoje vamos ficar a saber quais os
alimentos que podemos combinar no prato, para que não venhamos a sentir
indisposições após a refeição nem a causar alterações do nosso funcionamento
intestinal e na saúde em geral. Mas primeiro vamos espreitar a Medicina
Tradicional Chinesa e a Alimentação Ayurvédica e saber o que nos dizem sobre a
forma de nos alimentarmos.
O que nos diz a Medicina Chinesa
A medicina tradicional chinesa
considera que cada alimento tem uma identidade energética própria que nem
sempre combina bem com outros alimentos, cuja identidade pode ser incompatível.
Para os chineses, há alimentos Frios,
Quentes, Mornos, e alimentos que deixam “Humidade” no corpo.
A ligação ou mistura dos
alimentos é essencial para o equilíbrio do organismo. Alimentos ricos em
gordura combinados com alimentos ricos em açúcar é uma “pequena bomba-relógio”
de efeito retardado. Mas um dia, esta pequena bomba vai explodir...
Quando baseamos a nossa
alimentação em alimentos ricos em gorduras e açúcar (pizzas, bolos de
pastelaria, salgados, fritos, etc.) estes alimentos criam “humidade” que vai
ficando “marcada” no nosso organismo. Também não ligam bem as bebidas
alcoólicas com derivados do leite, açúcar e gorduras, porque esta combinação
cria também “humidade” no organismo. Ora, para a medicina chinesa, o acúmulo de
humidade danifica o Baço e causa bloqueios do normal funcionamento digestivo. O
corpo não consegue retirar a energia dos alimentos e vai adoecendo a pouco e
pouco. Para os chineses, as diarreias, o
inchaço, as dores musculares, o cansaço e a sonolência são efeitos de um
desequilíbrio alimentar resultante das más combinações dos alimentos.
O que nos diz a
Medicina Ayurvédica
Para a medicina ayurvédica, a nutrição é a base da saúde, e
os alimentos representam os 6 sabores da natureza, que são: doce, ácido,
salgado, picante, amargo e adstringente. Uma refeição equilibrada deverá conter todos
estes sabores, mas os alimentos e a sua quantidade têm que ser adequados à
natureza de cada pessoa, consoante for do tipo Vata, Pitta e Kapha.
Para as pessoas
“Vata”
Para uma pessoa de natureza Vata, os sabores mais importantes e
adequados são os sabores doce, ácido e
salgado.
Para as pessoas
“Pitta”
As pessoas de carácter Pitta necessitam dos sabores doce, amargo e adstringente na sua dieta.
Para as pessoas
“kapha”
As pessoas de natureza Kapha necessitam dos sabores picante, amargo e adstringente.
Os alimentos de sabor doce
Os alimentos
do tipo “doce” são nutritivos, tónicos e rejuvenescedores. Equilibram a mente e
relacionam-se com o sentimento de contentamento. Em excesso, causam letargia e
apego. São alimentos “doces” o leite, nozes, frutas doces e o arroz.
Os alimentos de sabor ácido
Os alimentos
do tipo “ácido” são estimulantes, digestivos, aumentam o apetite e ajudam a
dissolver os gases (diz-se que são carminativos). Activam o metabolismo e as
funções cerebrais. Despertam a mente e os sentidos. Em excesso, causam raiva,
impaciência e inveja. São alimentos
ácidos o iogurte, os pickles e o vinagre.
Os alimentos de sabor salgado
O alimento “salgado”
é digestivo, aumenta o apetite, promove a salivação, é levemente laxativo e
potencializa o sabor dos alimentos. Acalma os nervos e diminui a ansiedade. Em
excesso, os alimentos salgados causam letargia, cobiça, raiva e impaciência.
O sal e as
algas são alimentos de sabor salgado.
Os alimentos de sabor picante
Os alimentos
do tipo “picante” são estimulantes, aumentam o poder digestivo, são diaforéticos,
isto é, provocam suor, são expectorantes, vermicidas e aumentam a
circulação. São depuradores dos canais energéticos. Em excesso, alimentos
picantes causam raiva e impaciência.
As
variedades de pimenta, o gengibre e o
cardamomo são alimentos de sabor picante.
Os alimentos de sabor amargo
Os alimentos
do tipo “amargo” são desintoxicantes, bactericidas, germicidas e limpam o
sangue. Purifica a mente e as emoções. Em excesso, causam ansiedade, medo e insónia
As hortaliças e o chá verde são
alimentos do tipo amargo.
O alimentos do tipo “adstringente
O
“adstringente” promove a absorção dos fluidos, é anti-inflamatório, seca as secreções
excessivas e os sangramentos. Esfria a mente e remove a letargia. Em excesso, os
alimentos adstringentes causam ansiedade, preocupação, medo e insónia.
São
adstringentes os grãos, a alface, o
açafrão-da-terra e os aspargos.
INCOMPATIBILIDADES E TEMPOS DIGESTIVOS
Agora vamos ver o que nos diz a
ciência da nutrição e a naturopatia
Quando fazemos uma refeição,
devemos ter em atenção se a mistura dos diferentes alimentos que vamos ingerir
não provocará um maior esforço digestivo.
Assim, alimentos saudáveis e bons
do ponto de vista nutricional nem sempre podem ser misturados entre si numa
mesma refeição, porque têm reações digestivas diferentes e tempos de digestão
próprios tornando-se incompatíveis.
Uma refeição composta por alimentos (todos eles) saudáveis
nem sempre o é em termos digestivos, se esses alimentos forem incompatíveis
entre si.
Esta incompatibilidade diz respeito à estrutura química dos
compostos de cada alimento, aos seus diferentes tempos de digestão, etc.
Quanto mais difícil for a
digestão de um grupo de alimentos, maior a probabilidade de produzirmos gases,
cólicas intestinais ou prisão de ventre, devido à existência de produtos
tóxicos que entretanto se formaram na fase final da digestão e que vão ficar
retidos no corpo durante muitas horas ou mesmo alguns dias.
Por outro lado, a retenção no
nosso organismo dos produtos finais da digestão torna também mais difícil a
drenagem natural do organismo com consequências visíveis no corpo: inchaço
abdominal, dificuldade para emagrecer, sensação de enfartamento, dor de cabeça,
tonturas, etc.
Por exemplo, a carne, peixe,
ovos, cogumelos, grão, feijão soja, leite e derivados são muitos ricos em
proteína. Do ponto de vista digestivo, a proteína tem uma reação ácida e a sua
digestão inicia-se primeiro no estômago e depois no duodeno (primeira porção do
intestino delgado). A batata, o arroz, a massa e o pão, por exemplo, iniciam
logo a sua digestão na boca e posteriormente no jejuno (na segunda porção do
intestino delgado).
Ora, numa refeição em que
ingerimos uma grande quantidade de carne acompanhada por batata ou arroz, por
exemplo, a digestão da carne no estômago torna-se mais demorada por haver uma
grande quantidade de proteína. A longa digestão da carne acaba por fazer
retardar a digestão do arroz.
Por outro lado, numa refeição que é rica em gordura (por
exemplo, carne gorda, molhos, óleos, margarinas, etc.) e que é acompanhada com
doces (fruta doce, sobremesas), a digestão das gorduras provoca um atraso na
digestão dos açúcares.
Devemos, contudo, considerar que
cada organismo reage aos alimentos de forma própria e, regra geral, adapta-se à
digestão de cada alimento. Quanto mais saudável for um organismo, especialmente
o aparelho digestivo, mais fácil é a sua adaptação aos alimentos.
O bom senso à nossa mesa!
A nossa própria experiência
pessoal vai-nos dizendo o que é que o nosso organismo aceita melhor e se a
variedade de alimentos que normalmente preferimos é uma boa escolha. Se
estivermos com debilidade digestiva, o bom senso diz-nos que quanto menos
misturas fizermos, melhor. Não só o estômago mas o intestino, o fígado, a
vesícula e o pâncreas são órgãos que fazem parte do processo digestivo e são
fundamentais para todas as transformações químicas dos alimentos que ingerimos
até serem assimilados por todas as células do nosso corpo. Se um deles está
deficiente, vamos ter maior cuidado com as misturas que fizermos.
Por vezes, justifica-se também
fazermos algum repouso gástrico e, neste caso, é melhor por exemplo, fazermos
uma dieta líquida (sumo de fruta ou caldo ralo de legumes). Outra via é, por
exemplo, comermos a intervalos regulares um só tipo de alimento, em vez de
misturarmos vários alimentos numa mesma refeição.
Boas e más misturas NO SEU PRATO
Regra geral, devemos ter em conta os seguintes princípios ao
elaborar uma refeição:
Carne, peixe e ovos
– ligam bem com hortaliças.
Arroz, massa, pão
– estes três alimentos ligam bem entre si. Qualquer um deles pode ser ingerido
com hortaliças, ovos, leite, iogurte, queijo.
Batata – Não deve
ser comida com pão, arroz ou massa.
Frutos frescos –
Num regime alimentar em que as refeições incluem sopa e um prato de carne ou
peixe com acompanhamentos, as boas regras ditam que a fruta deve ser comida no
intervalo das refeições.
Se se tratar de um pequeno-almoço ou almoço em que comemos,
por exemplo, pão e queijo somente, então várias peças de fruta da mesma espécie
podem ser comidas no início ou no fim.
Evite comer melão, meloa ou melancia às refeições!
O melão, por exemplo, pode
ser comido excepcionalmente numa refeição, se ele for muito maduro e em pouca
quantidade, mas é sempre preferível comê-lo isoladamente, ou seja, no intervalo
das refeições e, neste caso, na quantidade desejável. O mesmo se aplica à
melância e à meloa.
Frutos oleaginosos
– a amêndoa, a noz, o amendoim, a avelã ligam bem geralmente com alimentos
cozinhados, com pão e com hortaliças.
Por via de regra, é de evitar a mistura dos frutos secos com
fruta fresca, principalmente se for muito doce (uvas, figos, etc.).
Nota: As pessoas que sofrem de fígado ou vesícula nem sempre
toleram bem os frutos oleaginosos.
Hortaliças –
ligam bem com pão, massas, arroz, grão, feijão e frutos oleaginosos.
Iogurte e Requeijão
– são bem tolerados com praticamente todos os alimentos crus e cozinhados.
Legumes secos – O
feijão, o grão, a ervilha ou a fava ligam bem com carne, peixe, ovos, verduras
e gorduras mas são incompatíveis com arroz, massa, farinha e pão.
Leite – Liga-se
bem com arroz, pão, massa, gema de ovo, açúcar, mel. Banana e leite são
compatíveis.
Mel – liga bem
com leite, arroz, pão, massa, fruta fresca.
Ovos – Os ovos
ligam bem praticamente com todos os alimentos cozinhados incluindo verduras. A
gema pode ser associada ao leite, aos caldos de farinha, aos flocos de aveia,
de trigo, etc.
Queijos – De uma maneira geral, os queijos ligam bem com pão,
massas, arroz, verduras e frutos. Dos frutos, tenha em atenção que a maçã e o
pêro são os que se harmonizam melhor com alimentos cozinhados.
Estão vistos alguns riscos de más
combinações de alimentos e, com base nestas orientações, poderá já preparar
refeições mais leves e saudáveis do ponto de vista digestivo.
Contudo, cada um de nós deve
procurar uma combinação de alimentos de acordo com o seu gosto e a forma
individual como reage. As regras gerais são orientações e não dispensam uma
atenção particular aos indivíduos que podem reagir mal a certos alimentos ou
combinações, apesar de serem considerados alimentos saudáveis e combinações
adequadas. O mesmo se aplica a problemas de saúde para os quais podem estar
contra-indicados alguns alimentos.
Uma dica final: a levedura de
cerveja (1 colher de sopa misturada na sopa, por exemplo) ou uma chávena de chá
de menta ou de gengibre no final de uma refeição podem facilitar a digestão.
obrigado, gostei.
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarBanana e leite não são nada compatíveis, isso é mentira.
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